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A Cadeira nº 24 da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC) é dedicada à memória de Huey P. Newton, filósofo social, doutor em filosofia e cofundador do Partido dos Panteras Negras para Autodefesa. Nascido na Louisiana e forjado na resistência urbana de Oakland, Califórnia, Newton foi uma das mentes mais estratégicas e radicais do século XX na luta contra o racismo sistêmico e a violência de Estado. Entre 1967 e 1970, viveu o cárcere como um preso político sob intensa vigilância, transformando sua cela em um centro de formulação teórica internacionalista. Foi na privação de liberdade que ele refinou o conceito de "intercomunalismo" e produziu reflexões que conectavam a luta dos guetos estadunidenses à libertação dos povos do Terceiro Mundo.
Ao homenagear Huey P. Newton, a Cadeira nº 24 da ABLC reafirma o compromisso da instituição com a literatura como ferramenta de autodefesa intelectual e soberania racial. A escolha de Newton como patrono simboliza o acadêmico que não separa a teoria da práxis, utilizando a escrita para desmantelar as engrenagens psicológicas da opressão carcerária. Sua trajetória destaca que a produção bibliográfica nascida do confinamento é um ato de "suicídio revolucionário": a disposição de morrer para o velho eu submisso e renascer como um sujeito histórico livre, provando que a mente de um revolucionário é o único território que o sistema jamais conseguirá ocupar.
Mais do que uma homenagem, esta cadeira representa o elo entre o movimento pelos direitos civis global e as vozes contemporâneas que, no sistema prisional brasileiro, buscam na consciência política e na organização comunitária os meios para enfrentar o encarceramento em massa. Inspirados pela densidade ética de sua obra fundamental, Suicídio Revolucionário, os escritores vinculados à ABLC buscam transformar a experiência da reclusão em uma narrativa de orgulho, disciplina e libertação, contribuindo para um debate público que reconhece na trajetória de Huey P. Newton a prova de que a palavra escrita é o primeiro passo para a quebra definitiva de todas as correntes.
"Sua trajetória ensina que o cárcere é o laboratório onde a resistência se torna ciência, e que o escritor que compreende as estruturas do poder transforma sua cela em um posto avançado da liberdade mundial."

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