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Lacir Moraes Ramos

Nascido em Ibirubá (RS), Lacir Moraes Ramos é um símbolo vivo da transformação humana dentro e fora do sistema prisional. Sua trajetória no cárcere começou aos 19 anos e estendeu-se por quase três décadas, período em que passou por 28 unidades prisionais diferentes. Sobrevivente de um sistema marcado pela ociosidade e pela violência, Lacir converteu sua experiência de 29 anos de privação de liberdade em uma missão de vida dedicada à recuperação de outros apenados. Pastor evangélico e ativista social, ele é reconhecido por autoridades judiciárias por sua capacidade ímpar de mediar conflitos e conduzir foragidos de volta ao cumprimento da lei, pautando sua atuação na crença inabalável de que nenhum ser humano é irrecuperável.

Produção Literária
Sua escrita é um documento histórico e pedagógico sobre as falhas da "escola do crime" e as rotas para a liberdade consciente:

“Um Milagre na Escola do Crime – Condenado a 200 Anos, Hoje Livre!”: Nesta obra autobiográfica, Lacir detalha sua jornada desde o primeiro furto até a conquista do indulto presidencial que extinguiu suas penas. O livro não é apenas um relato de crimes e castigos, mas um manual de ressocialização que expõe a realidade nua e crua das galerias prisionais, ao mesmo tempo em que oferece diretrizes práticas para a reabilitação através do que ele define como os três pilares da recuperação: o fator psicológico/espiritual, o trabalho e a educação.

Contribuições e Impacto
Lacir Moraes Ramos exerce um papel fundamental na gestão de crises no sistema prisional do Rio Grande do Sul. Sua autoridade moral entre os presos permitiu, por exemplo, a pacificação de galerias em unidades complexas como a Penitenciária Estadual do Jacuí. Como intelectual orgânico do cárcere, ele defende que a ocupação do tempo com estudo e trabalho é a única forma de evitar que o jovem trancafiado planeje novas revoltas. Sua indicação para cargos de gestão na Secretaria de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo (SJSPS) reflete o reconhecimento de sua "visão apurada" sobre a execução penal, consolidando-o como uma voz essencial para humanizar as políticas públicas de segurança e reintegração social no Brasil.

"Sua trajetória é a prova de que o tempo de cárcere pode ser transmutado em sabedoria, transformando um sobrevivente do sistema no principal arquiteto da liberdade alheia."

Cadeira nº 28: Miguel Hernández
A Cadeira nº 28 da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC) é dedicada à memória de Miguel Hernández, um dos poetas mais viscerais e luminosos da literatura espanhola do século XX. De origens humildes como pastor de cabras, Hernández tornou-se a "voz do povo" durante a Guerra Civil Espanhola. Sua trajetória foi tragicamente interrompida pela repressão do regime franquista, que o manteve encarcerado em condições desumanas em diversas prisões até sua morte prematura por tuberculose, em 1942. Foi no cárcere, privado de tudo, que ele escreveu algumas das páginas mais comoventes da poesia universal, como as Nanas de la Cebolla (Canções de Ninar da Cebola), compostas em resposta a uma carta de sua esposa que dizia ter apenas pão e cebola para alimentar o filho do casal.

Ao homenagear Miguel Hernández, a Cadeira nº 28 da ABLC reafirma o compromisso da instituição com a literatura como ternura resistente e dignidade inabalável. A escolha de Hernández como patrono simboliza a pureza do lirismo que não se deixa corromper pelo ódio ou pela tortura, reforçando que a poesia, mesmo escrita em papel de embrulho ou memorizada entre as grades, é o alimento espiritual que sustenta a humanidade nos tempos de maior escassez e sofrimento.

Mais do que uma homenagem, esta cadeira representa o elo entre a tradição dos poetas-soldados e as vozes contemporâneas que, no cárcere, utilizam o verso para manter vivos os seus afetos e a sua identidade. Inspirados pelo sacrifício e pela entrega de Miguel Hernández, os escritores vinculados à ABLC buscam transformar a clausura em um canto de amor e liberdade, contribuindo para um debate público que reconhece na sensibilidade poética a maior forma de resistência contra a brutalidade de qualquer sistema opressor.

"Sua vida e obra provam que a liberdade é um sentimento que nasce no peito e se imortaliza na palavra, transformando a cela mais escura em um horizonte de luz para as gerações futuras."

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