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A Cadeira nº 30 da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC) é dedicada à memória de Patrícia Rehder Galvão, a Pagu: escritora, jornalista, desenhista e uma das figuras mais disruptivas do Modernismo e da militância política brasileira. Mulher à frente de seu tempo, Pagu converteu sua existência em um ato contínuo de liberdade e contestação. Entre 1931 e 1940, sob a repressão do governo Vargas, ela enfrentou o cárcere por 23 vezes devido ao seu engajamento com a causa operária e sua filiação ao Partido Comunista. Foi na crueza das celas que ela produziu reflexões fundamentais sobre a condição humana e a resistência política, provando que a voz de uma intelectual engajada é capaz de transpassar qualquer tentativa de censura ou confinamento.

Ao homenagear Pagu, a Cadeira nº 30 da ABLC reafirma o compromisso da instituição com a literatura como vanguarda estética e insurgência social. A escolha de Pagu como patrona simboliza a coragem feminina que desafia as normas de gênero e as estruturas de poder, utilizando a escrita — seja sob o pseudônimo de Mara Lobo ou em seus relatos prisionais — para denunciar as engrenagens de opressão do parque industrial e do sistema penal. Sua trajetória destaca que a produção bibliográfica nascida da privação de liberdade é um documento vivo de resiliência, capaz de transformar a dor do isolamento em um manifesto de modernidade e consciência de classe.

Mais do que uma homenagem, esta cadeira representa o elo entre a efervescência cultural da década de 30 e as vozes contemporâneas que, no sistema prisional, buscam na arte e na literatura os meios para a sua própria subjetivação. Inspirados pela audácia de obras como Parque Industrial e pela densidade de seus Escritos Prisionais, os escritores vinculados à ABLC buscam transformar a experiência da reclusão em uma narrativa de autonomia e quebra de estigmas, contribuindo para um debate público que reconhece na trajetória de Patrícia Galvão o exemplo máximo de que a liberdade, antes de ser um direito físico, é um imperativo da alma e da inteligência.

"Sua trajetória ensina que o cárcere pode tentar silenciar um corpo, mas jamais a fúria criativa de uma mulher que escolheu a palavra como arma de libertação e a justiça como o único horizonte possível."

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