
A Cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC) é dedicada à memória de Jacob Gorender, historiador, economista e um dos mais brilhantes intérpretes da formação social brasileira. Combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial e militante histórico contra a ditadura militar, Gorender enfrentou o cárcere e a tortura entre 1970 e 1972. Foi no isolamento das celas que ele exercitou a disciplina intelectual que, anos mais tarde, resultaria em obras fundamentais para a historiografia nacional. Sua experiência de privação de liberdade não silenciou sua capacidade analítica; ao contrário, temperou o rigor com que ele passou a investigar as estruturas de dominação e as raízes da desigualdade no Brasil.
Ao homenagear Jacob Gorender, a Cadeira nº 37 da ABLC reafirma o compromisso da instituição com a literatura como ferramenta de interpretação científica e revisão histórica. A escolha de Gorender como patrono simboliza o intelectual que utiliza o método dialético para compreender o passado e projetar o futuro, provando que a cela pode ser um espaço de profunda maturação teórica. Sua trajetória destaca que o pensamento crítico, quando fundamentado no estudo exaustivo da economia e da história, é uma força capaz de atravessar muros e influenciar o debate acadêmico e político de toda uma nação.
Mais do que uma homenagem, esta cadeira representa o elo entre a tradição dos grandes intérpretes do Brasil e as vozes contemporâneas que, no sistema prisional, buscam no estudo das estruturas sociais os meios para compreender sua própria condição. Inspirados pelo rigor ético e pela densidade de obras como O Escravismo Colonial, os escritores vinculados à ABLC buscam transformar a experiência da reclusão em uma narrativa de clareza sociológica e consciência histórica, contribuindo para um debate público que reconhece no conhecimento das raízes do país o primeiro passo para a conquista da verdadeira cidadania e da liberdade.
"Sua trajetória ensina que a mente de um historiador, quando armada com o método e a verdade, transforma a cela em um observatório da liberdade e o silêncio do cárcere em um eco eterno de justiça."

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