Gih Trajano
Nascida em Suzano (SP) em 1977, Gisélia de Sá Trajano, a Gih Trajano, é poetisa, slammer, escritora e roteirista. Filha de migrantes nordestinos, sua trajetória é um exemplo de resiliência e autodescoberta. Foi no cárcere, na virada do século XX, que Gih encontrou na poesia uma rota de fuga intelectual e transformação pessoal. Através dos saraus promovidos pelo grupo Poetas do Tietê dentro da unidade prisional, ela acessou produções culturais que despertaram sua vocação, transformando um espaço de exclusão em um território de formação literária e afirmação de identidade.
Produção Literária
A escrita de Gih Trajano é marcada por uma poderosa oralidade, trazendo a urgência das ruas e das competições de poesia falada para as páginas dos livros:
“Quem Saberá Perder”: Esta pequena narrativa marca sua estreia na modalidade escrita. A obra ficcionaliza a trajetória de Angélica, uma mulher negra e trabalhadora que vê sua realidade transfigurada pelo crime e pelo cárcere. Através de uma narrativa sensível e contundente, o livro mergulha nas complexidades de gênero e raça, expondo as feridas de um sistema que atinge de forma específica o corpo da mulher marginalizada.
Contribuições e Impacto
Gih Trajano é uma figura central na conexão entre a literatura de detenção e os movimentos culturais contemporâneos, como o Slam. Sua trajetória é um testemunho vivo do impacto da arte como ferramenta de resistência e reconstrução subjetiva. Ao capturar a essência da experiência feminina em contextos de vulnerabilidade, Gih oferece uma perspectiva essencial para o debate sobre segurança pública, direitos humanos e a importância de projetos culturais dentro dos presídios. Como acadêmica, ela representa a voz das mulheres que, através da palavra, retomam o protagonismo de suas vidas e denunciam as estruturas de opressão com beleza e fúria poética.
"Sua obra demonstra que a poesia falada no cárcere é o primeiro passo para uma escrita que liberta, transformando o eco das celas em um manifesto de dignidade e sobrevivência."

A Cadeira nº 17 da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC) é dedicada à memória e ao legado vivo de Angela Davis, filósofa, professora e uma das maiores intelectuais abolicionistas do mundo. Em 1970, Davis figurou na lista dos dez mais procurados do FBI e enfrentou um dos julgamentos mais midiáticos e políticos do século XX, passando 16 meses em cárcere antes de ser absolvida de todas as acusações. Foi a partir dessa experiência direta com o sistema prisional que ela refinou sua crítica devastadora ao "complexo industrial prisional", transformando a cela em um ponto de partida para uma teoria revolucionária que interssecciona raça, classe e gênero.
Ao homenagear Angela Davis, a Cadeira nº 17 da ABLC reafirma o compromisso da instituição com a literatura como pensamento crítico e ferramenta de desencarceramento social. A escolha de Davis como patronesse simboliza a resistência da mulher negra intelectual que, mesmo sob custódia do Estado, não interrompeu sua produção teórica, reforçando que o conhecimento é a arma fundamental para questionar a própria existência das prisões e propor novos modelos de justiça e liberdade.
Mais do que uma homenagem, esta cadeira representa o elo entre o ativismo internacional e as vozes brasileiras que buscam denunciar o encarceramento em massa da população negra. Inspirados pela lucidez e pela coragem de Angela Davis, os escritores vinculados à ABLC buscam transformar a experiência da privação em uma narrativa de insurgência intelectual, contribuindo para um debate público que reconhece a urgência de sociedades baseadas no cuidado e na educação, e não apenas na punição.
"Sua trajetória prova que a liberdade não é um estado estático, mas uma luta constante que se fortalece quando a mente se recusa a aceitar as grades como o destino final da humanidade."

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